Quem navega em Portugal conhece sobretudo o percurso de marina em marina: cais, comboio de barcos, próximo cais. Ancorar numa enseada — motor desligado, e da popa direto para a água — simplesmente não faz parte desse hábito. É exatamente isso que torna diferente um dia no mar entre Puerto Banús e Cabopino. Neste troço de costa há reentrâncias de água turquesa e fundo de areia fina, onde deixa cair a âncora, nada e come a bordo, com o barco só para o seu grupo. Neste guia percorremo-las enseada a enseada: como é ancorar em cada uma, o que vai ver e qual a melhor altura para lá estar.
Uma coisa antes de mais, e é também a parte mais honesta disto: não existe um programa fixo. O skipper decide a rota de manhã, consoante o vento do dia, porque é ele que determina que lado da enseada fica abrigado. Diz o que quer — nadar com calma, fazer snorkeling, sair tarde — e ele escolhe os sítios certos. Não precisa de carta de navegador, nem a portuguesa, porque o skipper vai sempre a bordo. Como são as diferentes experiências a bordo, lê à parte.
Cala del Cristo e Isla de las Palomas (junto a Puerto Banús)
A poucos minutos da entrada do porto de Puerto Banús ficam a Cala del Cristo e os arredores da pequena ilha Isla de las Palomas: o primeiro ponto natural para ancorar assim que sai do porto. O fundo é maioritariamente arenoso, com algumas zonas rochosas junto à ilha, e ancora-se confortavelmente entre 3 e 6 metros de profundidade. Ideal para um primeiro banho rápido logo depois de largar, com água limpa e a silhueta de La Concha ao fundo. Por ficar tão perto do porto, é perfeito para saídas curtas de duas horas ou como primeira paragem antes de continuar.
Nagüeles e a Milla de Oro (em frente ao Puente Romano)
Em frente à Milla de Oro, à altura do hotel Puente Romano, a costa de Nagüeles oferece um dos pontos de ancoragem mais elegantes da baía. Fundo de areia limpa, profundidade que sobe suavemente entre 4 e 7 metros, e vista para as vivendas e os beach clubs mais conhecidos de Marbella. De manhã a água costuma estar mais parada: perfeita para nadar e fazer algum snorkeling. É também um dos melhores sítios para fechar o dia — ao final da tarde, a luz sobre a serra transforma este recanto no cenário perfeito para um pôr do sol a bordo.
Río Real
Atrás da cidade de Marbella, em direção a leste, a foz do Río Real abre um troço de costa mais aberto e bastante menos frequentado. O fundo é de areia limpa, com profundidades agradáveis para ancorar bem perto da margem, e o ambiente é visivelmente mais tranquilo do que junto a Puerto Banús. Uma boa paragem intermédia numa saída de meio dia, se quiser fugir da azáfama e nadar durante mais tempo sem barcos à volta. É mais agradável a meio da manhã, antes de o vento de poente refrescar.
Las Chapas
A costa de Las Chapas é uma sucessão de pequenas praias e enseadas semiurbanas com excelente fundo de areia para ancorar. Aqui a água ganha aquele tom verde-azulado tão característico da zona leste de Marbella, e a profundidade mantém-se suave — o que dá muita tranquilidade quando há crianças na água. Este troço é pouco procurado pelas excursões turísticas, por isso muitas vezes tem a enseada praticamente só para si. Ideal para combinar com uma paragem ao meio-dia para comer a bordo.
Artola e Cabopino (dunas e torre de vigia)
O ponto de ancoragem mais bonito no extremo leste desta rota fica em Artola-Cabopino, junto ao espaço natural protegido das Dunas de Artola e à torre de vigia histórica. O fundo é arenoso, dourado e muito limpo, com água que em dias sem vento parece uma piscina. Ancora-se junto às dunas a cerca de 3 a 5 metros, e a paisagem — protegida, sem construção até à linha de água — está entre o mais bonito de toda a Costa del Sol. Vale a pena chegar antes do meio-dia: tem mais espaço e a água está mais limpa. É também uma zona onde é frequente encontrar golfinhos pelo caminho; se é isso que procura, veja a nossa experiência de avistamento de golfinhos.
Calahonda
Já no concelho de Mijas, quase no fim do percurso, em Calahonda alternam-se pequenas enseadas de areia com troços rochosos que dão vida ao fundo marinho. É o sítio certo para fazer snorkeling: sobre as zonas rochosas mais rasas vêem-se muitos peixes, e a água é excecionalmente limpa. É importante que o skipper escolha bem o ponto de ancoragem, para que a âncora caia em areia e não em pedra. Um recanto que premeia quem madruga, quando o mar ainda está como um espelho.
El Saladillo e Guadalmina (em direção a poente)
Se a rota seguir antes para o outro lado, passando Puerto Banús em direção a poente, El Saladillo e Guadalmina oferecem praias largas e pouco concorridas e um ponto de ancoragem em areia muito confortável. A água ali é calma e aberta, perfeita para nadar sem pressa longe das zonas mais turísticas. Uma boa alternativa em dias de vento de levante, quando a parte leste da baía fica mais agitada e vale a pena procurar abrigo a poente. Como este troço de costa se relaciona com o resto, lê no nosso guia para navegar ao longo da Costa del Sol.
Como se faz um bom ponto de ancoragem
Ancorar bem é mais do que deixar cair a âncora: vento, tipo de fundo e hora do dia decidem juntos como corre a paragem. Estas três regras simples tiram o melhor partido de qualquer enseada.
Primeiro, olhar para o vento
A regra de ouro é ancorar a sotavento, ou seja, do lado da costa que fica protegido do vento do dia. Com vento de levante procura-se abrigo a poente (Saladillo, Guadalmina), com vento de poente é exatamente o contrário. Por isso o skipper decide o ponto de ancoragem todas as manhãs consoante a previsão, para que o barco fique estável e seguro.
Fundo de areia, sempre que possível
Em areia a âncora segura melhor e com mais segurança do que em rocha ou pedra, e assim preserva-se o fundo marinho. Quase todas as enseadas deste percurso têm bom fundo de areia; em pontos mistos como Calahonda, a escolha exata do local faz a diferença.
Escolher a hora com juízo
De manhã o mar costuma estar mais calmo e as enseadas mais vazias; a meio da tarde a luz é ótima para nadar, e pode ficar até ao pôr do sol. No verão, evite as horas do meio-dia nos pontos de ancoragem mais procurados e reserve com antecedência, porque as enseadas mais bonitas enchem. Se hesita quanto à duração: o meio dia de quatro horas é o ponto ideal para encadear com calma duas ou três enseadas.
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Sim. É uma saída 100% privada a bordo do De Antonio D50, com até 10 pessoas a bordo, por isso decide o ritmo do dia. Diz-nos se quer sobretudo nadar com calma, fazer snorkeling ou apanhar o pôr do sol, e o skipper ajusta as paragens consoante o vento do dia. As tarifas: 1.200 € por 2 horas, 1.800 € por meio dia de 4 horas e 3.000 € pelo dia inteiro, com skipper e combustível do trajeto habitual incluídos.
O tempo que quiser, dentro da sua saída. Alguns grupos preferem uma paragem longa para nadar e comer a bordo, outros encadeiam várias enseadas. Em meio dia costumam visitar-se com calma duas ou três.
Depende da duração da saída. A descriminação completa está no nosso guia sobre quanto custa alugar um barco em Marbella: desde 1.200 € por 2 horas até 3.000 € pelo dia inteiro, sempre com skipper e combustível do trajeto habitual incluídos e o barco inteiro para o seu grupo.
